Não somos todos Charlie. Somos todos pecadores.

O mundo mais uma vez assistiu o que ódio é capaz de fazer. A morte dos cartunistas colocou o Ocidente em estado de alerta, e suscitou novamente o debate sobre o extremismo islâmico. Uma onda de crônicas, ensaios e textos são produzidas diariamente tentando juntar os cacos desta tragédia, e tentam oferecer um ponto de vista sobre os fatos. Houve, inclusive, um deputado de esquerda que levantou uma comparação entre os terroristas do Islão e os cristãos. Por meio desta pastoral quero acrescentar algo. Quero oferecer mais um ponto de vista, mas irei falar como um cristão. Quero expressar minha opinião como um cristão que acredita ter nas Escrituras o fundamento doutrinário seguro e, que ao mesmo tempo tem que viver num mundo plural e relativista.

A morte dos cartunistas da Charlie Hebdo foi tão bárbara quanto o tipo sátira que eles produziam contra as religiões. Sendo mais exato, o episódio trágico em si, é um forte indício do tipo de ódio que a religião pluralista e relativista é capaz de retroalimentar, manter e patrocinar. Uma pergunta deveria ser feita a exaustão: Afinal, numa sociedade que hipocritamente não acredita mais em nada, que mal podem ter feito os cartunistas ao satirizarem a Trindade numa “surruba celestial, junto com os símbolos da fé islâmica”? Alguém dirá que o problema é a intolerância dos extremistas islâmicos. Certamente, a intolerância religiosa que convoca a matar o próximo é fator de sofrimento, mas ainda não é o problema central, antes é apenas o bode expiratório de uma sociedade que vê sempre o problema no outro, e não si mesmo.

A questão central é que por natureza somos todos depravados. Entre nós, os cartunistas da Charlie Hebdo, e os terroristas islâmicos não há diferença nenhuma do ponto de vista da natureza corrompida. Mas, grande parte da mídia quer passar a ideia dos cartunistas como arautos da liberdade de expressão, contra os terroristas do mal. Essa caça ao culpado fora de nós, a atitude relativista que recrimina o terror do extremismo islâmico, e ao mesmo tempo compara os terroristas com os cristãos brasileiros, apenas reforça a tese que identifica o mal fora de um grupo, de um partido, de uma pessoa, de uma religião afim de isolá-lo e depois liquidá-lo por meio de um “linchamento midiático” e do “aparato jurídico” que no fim das contas não educa mais sobre o certo e o errado, mas sobre o “dano” causado ao indivíduo ou ao grupo. A morte dos cartunistas da Charlie Hebdo apenas mostra como uma sociedade que tenta banir a verdade absoluta, e que ao mesmo tempo cultua o ídolo de um direito penal totalitário, que foi elevado como juiz último de uma sociedade pluralista, chegou aos seus estertores. O que aconteceu na Charlie Hebdo apenas prova que quanto mais relativista é uma sociedade, mais o seu sistema de justiça idolátrico se torna impotente. Quanto mais antinomista se torna um povo, mais inúteis são suas regulações penais, erguidas de forma meramente esquemática e totalitária a fim de reparar danos individuais ou coletivos. Afinal que erro pode ser punido, quando uma sociedade perde a noção de verdade absoluta?

Os cartunistas da Charlie Hebdo erraram ao satirizar a fé dos outros, os radicais islâmicos erraram ao matar os cartunistas, os cristãos erram de muitas formas e de muitas maneiras. Todos erram. Todos somos pecadores. Todos erram o alvo quando são medidos pela perfeita e justa Palavra de Deus. Nossa única esperança é confessarmos nossos pecados e nos voltarmos para Jesus Cristo, e tê-lo como Senhor e Mestre das nossas vidas. A verdade é que o mundo não ficará melhor porque digitamos em nosso perfil a frase “somos todos Charlie”. O mundo será um lugar melhor quando reconhecermos de coração que “somos todos pecadores”, e nos voltarmos para Cristo com fé e arrependimento.

Rev. Francisco Macena da Costa.

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