o gigante

“Não é só por vinte centavos”, “Mais pão, menos circo”, “Fora corrupção”, “Reforma política já”, “Copa do mundo não quero não, quero mais saúde, educação e segurança”. Estes são alguns dos gritos mais ouvidos nos últimos dias em todo país. Sou da geração dos anos 80, e não me lembro de ter visto algo tão grande, difuso e fragmentado em termos de movimento civil. Na década de 80, apostávamos da democracia representativa, os partidos políticos levantavam suas bandeiras ideológicas e o povo olhava com esperança para o futuro. Vinte cinco anos depois, gente de todos os seguimentos sociais, tomam pequenos recortes das mazelas sociais e os transformam em emblemas de uma crise maior que atinge todos e todas. Será a primavera brasileira? Quem está por detrás destes movimentos? Qual o papel das mídias sociais no contexto da articulação e mobilização das massas? Onde está classe política e a impressa do país? Será que vai acontecer a copa do mundo? Tanto os políticos, quanto os sociólogos, observadores internacionais e cronistas tentam formular um panorama, mas sempre com certa cautela em definir, mensurar, medir e prever o alcance real dos protestam que ameaçam parar o país, caso o Estado, não consiga oferecer uma resposta concreta ao povo.

Como cristãos precisamos lembrar os imperativos bíblicos para a vida pública. O salmista lembra que Deus se levanta quanto os pobres são oprimidos (Sl 12.5) O depósito da sabedoria bíblia ensina: “O que escarnece do pobre insulta ao que o criou; o que se alegra da calamidade não ficará impune.” (Provérbios 17:5, RA). Isaías pregou as seguintes palavras: “Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas.” (Isaías 1:17, RA) O Evangelho diz que nosso mestre “percorria todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades.” (Mateus 9:35, RA). É nosso dever orar por todos os homens, devemos interceder “em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador,” (1 Timóteo 2:2-3, RA). Além disso, Pedro diz: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano,” (1 Pedro 2:13, RA). No capítulo que Paulo fala da relação do cristão com a Autoridade pública, o apóstolo encerra o argumento dizendo: “Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.” (Romanos 13:12-14, RA)

Sendo assim, como povo de Deus precisamos entender que temos sim, o direito, e dever de reivindicar uma nação mais justa, igualitária e pacífica. Entretanto, como povo que conhece a Bíblia, sabemos muito bem que o caminho da mudança transcende o movimento popular que hoje clama em nosso país. A mudança virá quando o povo voltar para Deus em arrependimento. Quando o povo se voltar para Deus então a terra será curada (2 Cr 7.14). Nunca podemos esquecer que é nosso dever de consciência respeitar as instituições que sustentam a ordem social. É nossa obrigação pagar os impostos, orar por todos, pregar o Evangelho e fazer o bem – este é o caminho da “revolução cristã”. Isto não nos impede de denunciar os erros do Estado, e de protestar contra os tiranos, contudo é urgente lembrar que não temos o direito de vandalizar o mundo. Se tivermos que influenciar o mundo, e sofrer pelas consequências por isso, que seja por causa do Nome de Cristo, e não por burlar a justiça (1Pe 4.5). Jesus já nos deu o exemplo para seguirmos seus passos. Como temos ouvindo nesses dias, é certo dizer que o povo acordou, agora falta a igreja evangélica brasileira acordar, voltar para as Escrituras e seguir Jesus de forma pura e simples. Que o Senhor nos ajude!

No amor de Cristo,
Pr. Macena.

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