Quando pensamos em culto somos remetidos a uma diversidade de estilos e notadas distorções litúrgicas. É urgente resgatar e valorizar os erários da tradição reformada – principalmente a doutrina bíblica do culto. Um ponto fundamental do culto para os presbiterianos é a doutrina do pacto. O pensamento reformado tem sido amplamente conhecido como uma “teologia do pacto”. Sproul, um dos expositores do pensamento reformado, afirma que a “teologia reformada vê a estrutura primária da revelação bíblica como sendo a do pacto”[1]. Deus é sempre o sujeito do pacto. A Escritura testemunha que Deus decidiu tomar um povo para si mesmo (Êx 6.7; Jr 30.22; 2Co 6.16-18; 1Pe 2.9). É ele quem soberanamente estabelece uma relação com suas criaturas. Deus “fala graciosamente ao comprometer-se com suas criaturas e ao declarar a base sobre a qual se relacionará com sua criação (…) Nada de barganha, troca ou contrato caracteriza a alianças divinas da Escritura”[2].

Considerando a estrutura do pacto estabelecido por Deus, os estudiosos reformados quando expõe o culto na visão presbiteriana, destacam que o culto possui uma natureza pactual. Os reformados perceberam que Deus fez promessas onde às pessoas são desafiadas a responder com fé. Deus toma a iniciativa de ir ao encontro do seu povo, através de Suas graciosas promessas, e Seu povo responde com fé, o que resulta em atitudes que glorificam em amor o Nome do Senhor. Deus nos encontra onde estamos. Ele se acomoda a nossa “diminuta capacidade” (Calvino) através da Sua Palavra e sacramentos, e nós respondermos na Sua presença com orações e louvores. Negligenciar o culto de Deus é assumir um enorme prejuízo espiritual. Precisamos prestar culto ao Senhor.

O culto nos molda por meio do relacionamento com Deus, relacionamento esse começado de forma unilateral por Deus. Domingo após outro, todas as vezes que prestamos culto ao Senhor sua aliança é renovada, pois ouvimos suas promessas, comprazemo-nos em sua Palavra e somos enviados ao mundo para glorificar seu Nome. O culto ocupa um lugar muito importante no aprofundamento de nossa comunhão com Deus, porque implica na reapresentação, semana após semana, do Evangelho da graça de Deus. Por causa dessa natureza pactual do culto de Deus, podemos dizer que o fato distintivo da liturgia presbiteriana, se manifesta na realidade sermos encontrado por Deus e gozarmos da graça de ouvir Sua voz no culto, através da Palavra e dos Sacramentos. Tal visão pactual do culto superou a tendência romanista de tentar “ver” Deus no culto, e sem dúvida é de fundamental importância para resistir a tendência moderna que tentar “usar” Deus no culto. O entendimento pactual do culto implica que “os sermões devem voltar a ser rigorosamente expositivos para que a Igreja ouça realmente a Palavra de Deus e não opiniões humanas. (…) A oração deve ser restaurada como privilégio da igreja de falar ao Deus que se aproxima deles. Os sacramentos devem ser vistos como sendo a bondade do Senhor em dar expressão visível ao Evangelho”[3]. Que o Senhor nos ajude a prestarmos o culto da forma como Ele requer!


SPROUL, R. C. O que é teologia reformada? São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p.84.

ROBERTSON, O. Palmer. Cristo dos Pactos Campinas: Luz Para o Caminho, 1997, p. 9 e 18.

BOICE, M. James, et al. Reforma Hoje. São Paulo: Cultura Cristã, 1999. p. 165

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