Fazendo parte da Igreja de Deus.

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Fazendo parte da Igreja de Deus

Por: Rev. Francisco Macena da Costa.

 

Agradecemos ao Senhor por sua vida e estamos alegres por sua decisão em fazer parte da nossa comunhão cristã. Durante estes dias iremos aprofundar em oito módulos a razão da nossa fé.  Hoje vamos aprender sobre a doutrina bíblica da Igreja Cristã e também iremos iniciar um breve panorama histórico da nossa denominação.

 

Questões para reflexão

 

                         I.   O que é a Igreja?

 

Cremos, pelo testemunho das Escrituras, que Deus decidiu salvar alguns homens do poder do pecado, e levá-los ao conhecimento da verdade, de tal maneira, que a existência da Igreja se deve ao grande amor de Deus. A igreja é a comunhão dos santos de Deus que confiam e seguem Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Num certo sentido, desde o princípio até o fim dos tempos sempre existiu e existirá uma igreja de Deus no mundo como remanesceste fiel, apesar da hostilidade do mundo.

“Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos.” (1 Timóteo 2:3-6, RA)

“Porque o Senhor assim no-lo determinou: Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna.” (Atos 13:47-48, RA)

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.” (Efésios 5:25-27, RA)

“Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos. ” (Efésios 4:1-6, RA)

 

                      II.   Qual a origem da palavra Igreja?

 

A palavra Igreja grego vem do grego koinê – ekklesía – e na Grécia antiga denotava o ajuntamento dos cidadãos para tomar parte nas assembléias.  Os escritores do Novo Testamento usaram esta palavra (ekklesía) para identificar homens e mulheres, de todas as línguas raças e nações, que foram chamados do mundo para uma vida nova com Deus em Cristo Jesus.

 

                   III.   Quais são as características e sentidos da palavra Igreja?

 

  1. A igreja é invisível. Trata-se de todos e todas (tanto no passado, presente e futuro) que o Senhor decidiu, em tempos eternos, conceder a salvação.
  2. A igreja é visível. Refere-se a todos e todas que professam a fé cristã, juntamente com seus filhos.
  3. A igreja é local. É a comunidade cristã reunida em um determinado lugar do mundo.
  4. A igreja é universal (católica). A Igreja de Cristo, por sua natureza é universal, ou seja, ela tem uma vocação para todo o mundo, exemplificando o grande amor de Deus que não faz acepção de pessoas.
  5. A igreja é uma. Só existe uma igreja cristã. Apesar de nossas divergências, a família de Deus é uma e tem o Senhor como fundamento.
  6. A igreja é santa. Isto significa que o Senhor separa para si mesmo um povo que lhe sirva em consagração e piedade.
  7. A igreja é apostólica. Isto porque a Igreja nasceu da Palavra de Deus, e esta mesma proclamação, veio até nós pelos apóstolos de Jesus Cristo. Com isso queremos dizer que o conteúdo de nossa fé é apostólico.

 

                     IV.   O que significa ser protestante?

 

Logo após a morte dos apóstolos, os cristãos tiveram que enfrentar duras lutas diante das perseguições imperiais promovidas pelos romanos. Nesta época muito sangue foi derramado.

Contudo, por volta do ano 313, o Imperador Constantino se converteu (ou aderiu) ao cristianismo após receber um sinal que lhe conduziu a uma vitória significativa. Daquele momento em diante, os cristãos deixaram de ser perseguidos e de maneira impressionante passaram a ser alvo das benesses dos imperadores.

Superada as perseguições, a igreja cristã teve que enfrentar as controvérsias doutrinárias. Por este tempo ainda não existia uma edição bíblica com todos os volumes que temos hoje, antes os livros eram lidos e colecionados separadamente. O problema é que alguns líderes cristãos da época começaram a aceitar certos livros da bíblia em detrimento de outros, além de usarem o pensamento grego como sistema interpretativo do evangelho. Isto resultou numa grande confusão. E uma das formas pela qual a Igreja procurou defender a fé foi através da fidelidade dos bispos aos ensinos dos apóstolos. Estes bispos, de fato prestaram um grande serviço à igreja, na medida em que foram fiéis aos ensinos bíblicos e apostólicos. No entanto, com o passar dos anos, a figura do bispo ganhou forte proeminência, até que finalmente passou a ser ensinada uma primazia do bispo de Roma sobre os demais bispos.

Consolidada a liderança do bispo de Roma, a Igreja fez alianças com imperadores e ganhou por conseqüência poder e prestígio, ao ponto de gerar e manter, por algum tempo uma sociedade conhecida como cristandade. Tal sociedade tinha como principal marca manter e cumprir todas as regras da Igreja Católica Apostólica Romana.

Infelizmente esta igreja aos poucos deixou de ser fiel a pregação dos apóstolos e durante anos acrescentou leis, doutrinas e costumes não autorizados pelas Escrituras Sagradas. Durante este tempo existiram cristãos importantes como Agostinho, Aquino e outros que se destacaram no ensino. Outros tentaram reformar a Igreja, mas foram perseguidos e mortos pela Inquisição.

Somente no século XVI, o jovem monge Martinho Lutero, buscando uma vida de piedade e paz com Deus, ao receber uma bíblia, pode ver o grande contraste entre a Igreja de Roma e os ensinos de Jesus. Com a consciência fundada nas Escrituras, Lutero tentou propor uma reforma na igreja, mas suas 95 teses foram rejeitadas pelo Papa e desde aquele momento Lutero e a Igreja de Roma tomaram rumos diferentes.

Por sua vez, Lutero levou adiante os ideais da reforma e mais tarde luteranos ficaram conhecidos por protestarem contra tudo que não estava explícito no ensino bíblico, por isso ele foram chamados de protestantes e ainda hoje cristãos separados da comunhão romana, assim são conhecidos.

 

                        V.   O que significa ser reformado?

 

Os reformados foram àqueles líderes protestantes que aprofundaram a reforma. Dentre eles, se destacou o gênio de João Calvino, que escreveu vários comentários da bíblia, sermões, catecismos e por fim dedicou grande parte do seu tempo para escrever as Institutas da Religião Cristã – uma das maiores obras apologéticas de todos os tempos.

O pensamento de João Calvino influenciou vários líderes e movimentos dentre eles os puritanos, os presbiterianos, congregacionais e até mesmo batistas. Recentemente no século XX, alguns movimentos tentaram fazer uma nova leitura de João Calvino, o que mostra sua importância na história do pensamento cristão.

Uma síntese do pensamento calvinista pode ser encontrada na expressão Tulip que significa os cinco pontos do calvinismo, a saber:

  1. 1.              Depravação total;
  2. 2.              Eleição incondicional;
  3. 3.              Expiação limitada;
  4. 4.              Graça irresistível;
  5. 5.              Perseverança dos Santos;

 

                     VI.   O que significa ser presbiteriano?

 

O presbiterianismo teve sua origem na Escócia, por meio dos esforços de João Knox e também entre os ingleses houve um florescimento significativo do presbiterianismo. No Brasil o presbiterianismo foi implantado de forma definitiva pelo Rev. Ashbel Green Simonton.

Nossa Igreja é chamada de presbiteriana por causa do seu sistema de governo, que basicamente consiste na administração da igreja por meio de presbíteros (regentes e docentes), tal como vemos nos princípios da Escritura. Também são oficiais da igreja os diáconos.

“Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos. Tendo havido, da parte de Paulo e Barnabé, contenda e não pequena discussão com eles, resolveram que esses dois e alguns outros dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros, com respeito a esta questão. Enviados, pois, e até certo ponto acompanhados pela igreja, atravessaram as províncias da Fenícia e Samaria e, narrando a conversão dos gentios, causaram grande alegria a todos os irmãos. Tendo eles chegado a Jerusalém, foram bem recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros e relataram tudo o que Deus fizera com eles. Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés. Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão.” (Atos 15:1-6, RA)

“Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados. Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível como despenseiro de Deus, não arrogante, não irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de torpe ganância; antes, hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio de si, apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem. ” (Tito 1:5-9, RA)

 

Nossos padrões confessionais são: Confissão de Fé de Westminster; o Catecismo Maior e o Breve Catecismo. O padrão de governo compreende a Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil que desenvolve três partes: governo; disciplina e liturgia. O governo em nossa igreja nunca é exercido individualmente, mas coletivamente por meio dos concílios e tribunais. Nossos concílios são quatro, a saber:

  1. Conselho;
  2. Presbitério;
  3. Sínodo;
  4. Supremo Concílio;

 

Conclusão

Espero que tenha conhecido melhor a nossa fé e também o sentido da igreja no mundo, em especial a identidade dos presbiterianos. Somos antes de tudo uma igreja cristã e historicamente temos laços com o protestantismo reformado, em especial o calvinismo. Isto não significa que seguimos Calvino ou Lutero, antes, seguimos a Palavra de Deus e confessamos sua doutrina, buscando através de nossa geração continuar a reforma.

 

Que Deus nos ajude!

 

 

 

 

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