O Pecado Escraviza, mas a Verdade Liberta.

 

A liberdade é um conceito, e ao mesmo tempo, uma atitude desafiadora e excitante para os seres humanos. Basta notar as mais variadas políticas, filosofias, religiões e ideologias que recorrem ao conceito de liberdade, a fim de alguma forma, emprestar para a existência humana um senso de dignidade e plenitude.

 

Sendo a liberdade um benefício tão fundamental para a humanidade, qual será então o grande executor dela? Conforme o filosofo pós-moderno, Michael Foucault, o “conhecimento” em muitos momentos é usado para “definir”, “ajustar” e controlar as pessoas. Num certo sentido, para Foucault a vontade de poder e a vontade de saber são a mesma coisa, pois através do poder (constrangimento), o conhecimento faz as pessoas aceitarem certas idéias em detrimento de outras. Dentro dessa lógica as “diferenças” entre os seres humanos surgem como resultado da alterização (oposição) – que um grupo cria em relação aqueles que consideram como inferior – logo as pessoas são iguais, mas no processo de diferenciação o heterossexual alteriza o gay, surgindo assim a definição do ser em oposição ao outro. No mundo de Foucault a liberdade depende de como se encara o “conhecimento” na medida em que somos influenciados e também o quanto podemos influenciar os outros. E assim, o pós-modernismo encaminha o conceito de liberdade.

 

Como seguidores de Jesus, olhamos a partir do ponto de vista cristão, que o ser humano, enquanto vive em rebeldia contra a vontade do seu Criador é descrito como um escravo do pecado. O Senhor disse: “Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado.” (João 8:34, RA). Logo, o ser humano, a partir do entendimento de Jesus, deixa de ser livre na medida em que pratica deliberadamente a rebeldia em relação à vontade de Deus.  Porém, a despeito do pecado que escraviza, Deus em sua bondade e graça provê para aqueles que crêem em Jesus Cristo como Senhor e Salvador, a verdadeira liberdade. Através de Jesus, aqueles que crêem no Amor de Deus, experimentam a restauração da comunhão com o Pai, e como conseqüência o seguidor de Jesus mortifica do corpo do pecado e em santidade de vida procura estar em pé na presença do Senhor.

 

Para adentrar nesse mundo de liberdade é preciso abraçar com todo o coração a “Verdade” de Deus, em outras palavras, é preciso confiar em tudo que Ele nos diz, de uma forma geral na natureza e de forma especial através do Espírito Santo falando nas Escrituras Sagradas. Portanto, o termo “liberdade” tão vital em nossos dias, a partir do contexto testemunhal das Sagradas Escrituras nos desafia para aceitar a verdade como forma incondicional e inegociável de encontrar a liberdade e a verdade que liberta é Cristo. Por isso mesmo o Novo Testamento de várias maneiras categoriza liberdade como submissão ao Senhorio Absoluto de Jesus Cristo.

 

Cabe a nós como igreja do Senhor, em meio a este mundo distanciado e insurgente contra o projeto de seu criador, reafirmarmos que o conhecimento do Evangelho não alteriza as pessoas a fim de diminuí-las; o Evangelho não oprime as pessoas; o chamamento da graça, feito por Jesus Cristo não pode ser comparado com as estruturas de poder deste mundo. De fato o Evangelho é poder, mas é o poder de Deus para a Salvação do ser humano, para a libertação da existência em relação ao pecado e por fim é a luz que resplandece o conhecimento do grande amor e da justiça de Deus. Por isso embora admire as contribuições dos filósofos, como cristão estou convencido pelas Escrituras de que o maior instrumento cerceador da liberdade é o pecado, e que somente a partir da Verdade de Deus em Cristo o ser humano pode existir como livre. É como está escrito: “Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:31-32, RA)

 

Rev. Francisco Macena da Costa.

Cambeba, 4 de junho de 2011.

Fortaleza – CE.

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