Texto base: Mateus 11:7-19, RA

“Então, em partindo eles, passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Sim, que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que vestem roupas finas assistem nos palácios reais. Mas para que saístes? Para ver um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta. Este é de quem está escrito: Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele. Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele. Porque todos os Profetas e a Lei profetizaram até João. E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir. Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça. Mas a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes. Pois veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio! Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras.”

Durante todo esse dia estamos dando graças a Deus pela benção de poder educar e ser educados no Senhor através dos meios de graça que ele nos concedeu especialmente as Sagradas Letras.

Como é do conhecimento de todos e todas, à menção que hoje fazemos acerca desse aspecto pedagógico no contexto da igreja cristã, se deve também ao fato de que hoje é o dia da Escola Dominical. Sem dúvida a Escola Dominical é uma das estruturas mais importantes para a educação cristã, no entanto não basta apenas à estrutura. Quero dizer que não basta apenas ter um lugar, um horário, carteiras, lousa, multimídias e etc. para que de fato funcione a Escola Dominical. É preciso antes de tudo que a alma esteja disposta para ouvir a Palavra de Deus. Infelizmente algumas igrejas hoje têm apenas a estrutura pedagógica que luta para sobreviver diante da indisposição de muitos (alunos e docentes) em ouvir a Palavra de Deus.

De acordo com o texto que lemos hoje, Jesus confrontou essa indisposição no coração daqueles que rejeitavam a Sua Palavra. A minha esperança é que hoje todos nós, possamos entender as demandas que de fato envolvem a genuína disposição da alma para ouvir a Palavra de Deus. Convido você a considerar comigo três verdades que o texto bíblico nos ensina, a saber:

  1. I. A alma disposta para ouvir a Palavra de Deus deve apreender a questionar os preconceitos limitam nossa compreensão da espiritualidade. (7,8)

O texto imediatamente anterior a porção do evangelho que lemos hoje, diz-nos que “quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe: És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço. ” (Mateus 11:2-6, RA)

Isto posto, quanto os emissários de João se retiraram da presença de Jesus com o seu coração evangelizado, o nosso Mestre se dirigiu a multidão que o seguia, e passou a lhes questionar acerca do ministério de João Batista. Com nitidez o Senhor demonstrou o interesse em levantar razões que motivavam as multidões quanto a ver (assistir) João Batista. A pergunta do Senhor foi um questionamento certeiro acerca dos preconceitos do povo acerca de João. De acordo com o texto do Evangelho, Jesus Cristo fez pelo menos seis (6) perguntas, como podemos observar a partir do verso 7 do texto:

  • Que saístes a ver no deserto? (7)
  • Ø Um caniço agitado pelo vento?
  • Sim, que saístes a ver? (8)
  • Um homem vestido de roupas finas?
  • Ø Ora, os que vestem roupas finas assistem nos palácios reais.
  • Mas para que saístes? Para ver um profeta? (9)

Veja que cada uma dessas perguntas que o Senhor fez ao povo manifesta uma série de preconceitos que norteavam e condicionavam o juízo que o povo fazia acerca de João Batista e porque conseqüência da mensagem que ele pregava. Precisamos hoje compreender essas motivações manifestas no texto.

  1. As pessoas buscavam João no deserto penso que em busca de uma espiritualidade alternativa. Para muitos o deserto se tornou um lugar de encontro com Deus como uma forma de opção aos modelos esposados pelos herodianos, fariseus, escribas, zelotas e saduceus. Certamente quanto João apareceu no deserto pregando um batismo de arrependimento, aqueles que estavam descontentes com as alternativas vigentes decidiram fazer a experiência do deserto que por fim era um alternativa espiritual para o povo.
  1. Outras pessoas procuravam ouvir João Batista sem, contudo reconhecer nele nada de extraordinário, ele era apenas uma “cana balançada pelo vento”. Em outras palavras alguns que paravam para ouvir João, já tinham um visão preconcebida de que ele era só mais um religioso no meio do deserto, nem pior e nem melhor que ninguém, apenas um simples profeta como uma “cana balançada pelo vento”.
  1. 3. Alguns outros se esforçavam em ouvir João por causa de sua postura profética de resistência aos opressores. No texto, Jesus diz que João não usava roupas finas. Bem, essa informação me faz pensar que muitos passavam horas no deserto ouvindo João porque identificavam nele um líder político que denunciava a opressão social reinante entre os pobres. Certamente os camponeses, os escravos, os soldados, esgotados e sugados pelo sistema, encontravam na pregação de João Batista uma alternativa para viver no mundo de forma diferenciada. João era um homem na contra mão da lógica do mundo (romano-grego-judaico). Diz-nos o evangelho de Lucas que quando “as multidões o interrogavam, dizendo: Que havemos, pois, de fazer? Respondeu-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo. Foram também publicanos para serem batizados e perguntaram-lhe: Mestre, que havemos de fazer? Respondeu-lhes: Não cobreis mais do que o estipulado. Também soldados lhe perguntaram: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo” (Lucas 3:10-14, RA)

  1. 4. E por fim as pessoas ouviam João por que elas aceitavam na sua vocação como profeta (ou como messias). Alguns inclusive confundiram ele com o messias que haveria de vir. Pelo menos o sinédrio o inquiriu acerca de sua identidade como messias, e alguns de seus seguidores resistiam em aceitar o ministério de Jesus. Foi preciso que em dado momento João dissesse: “O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada. Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Convém que ele cresça e que eu diminua. Quem vem das alturas certamente está acima de todos; quem vem da terra é terreno e fala da terra; quem veio do céu está acima de todos e testifica o que tem visto e ouvido; contudo, ninguém aceita o seu testemunho. Quem, todavia, lhe aceita o testemunho, por sua vez, certifica que Deus é verdadeiro. Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida. O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos. Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.” (João 3:27-36, RA)

Pois bem, depois que Jesus identificou toda essa série preconceitos e motivações, o Senhor mesmo fez uma colocação – Nosso mestre disse: Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta.

Veja que em parte Jesus não descarta a totalidade dos preconceitos do povo, afinal, João de fato era profeta, humilde, corajoso, carismático e piedoso. Em suma – um líder digno de ser ouvido. Contudo, a afirmação feita por Jesus deixa claro que João era muito mais do que o povo pensava. Em outras palavras o Senhor ao questionar os preconceitos do povo, estava demonstrando que esses mesmos preconceitos que os moviam para ouvir João igualmente serviam como o fator limitante e a própria limitação para o povo aceitar a essência do ministério de João.

Irmãos e irmãs, Jesus quer nos ensinar que a alma disposta a ouvir a Palavra de Deus deve apreender a questionar os preconceitos quem limitam a compreensão da verdadeira piedade.

Mais do que nunca precisamos considerar o ensino de Jesus por conta de tantos preconceitos que hoje limitam a compreensão espiritual dos cristãos. Afirmo a vocês: se não levarmos a sério o questionamento de Jesus corremos o risco de vivermos limitados em nossos preconceitos. E infelizmente não são poucos que deixam crescem na graça e no conhecimento de Jesus Cristo porque estão presos a preconceitos e motivações equivocadas.

  • · Refiro-me aos cristãos que se limitam a motivos e preconceitos culturais e reduzem a fé cristã usos e costumes;
  • · Refiro-me aos cristãos que se limitam ao legalismo doutrinário que reduz o cristianismo a um mundo perfeitamente esquematizado e ao mesmo tempo esquelético por conta de uma vida de conceitos corretos sem vida correta;
  • · Refiro-me aos cristãos que se limitam as motivações e preconceitos desse mundo reduzem a fé cristã ao elemento ético como se o Jesus fosse um mestre de boas obras;
  • · Refiro-me aos cristãos que já estão tão engalfinhados com o espírito desse mundo que não conseguem mais reconhecer sequer a pertinência da fé cristã e por isso mesma valorizam muito mais a filosofia deste século que a eterna Palavra de Deus. E por conta banalizam a fé cristã como acessório estético vestido dominicalmente.

É verdade que existem preconceitos bons e eles devem ser desenvolvidos e firmados. No entanto, se por ventura existe em seu coração preconceitos errados que limitam o crescimento na fé, hoje eles precisam ser questionados em seu interior, a fim de quem tão somente você compreenda que temos muito mais para apreender acerca do evangelho em todos os dias da nossa caminhada de fé, da mesma forma como Apolo precisou apreender com mais precisão o caminho de Deus (At 18.26).

Em nome de Jesus entenda que abrir o coração para Deus é muito mais que;

  • · Apreciar uma boa música
  • · Decorar sistemas doutrinários
  • · Militar em causas sociais
  • · Agir com caridade

Abrir o coração para ouvir a Palavra de Deus é estar sempre aberto para receber mais sabedoria, mais luz, mais confronto, mais arrependimento, mais esperança, mais fé, mais santidade, mais tristeza diante do pecado, mais perdão, mais misericórdia, mais piedade.

Infelizmente por causa de nossas motivações e preconceitos, nós temos a tendência de recortar a realidade e diminuir a realidade de acordo com aquilo que sabemos e desejamos. Jesus, no entanto, confrontou as motivações e preconceitos do povo e por fim afirmou que João era muito mais do que o povo imaginava. Que hoje o Evangelho possa poderosamente questionar os preconceitos e motivações errados que habitam em sua alma, para que daqui em diante você possa todos os dias dizer:

Senhor eu preciso apreender mais de ti!

Eu preciso conhecer e crescer na graça e no conhecimento do Senhor!

Senhor eu preciso mais da tua sabedoria todos os dias!

  1. II. A alma disposta para ouvir a Palavra de Deus precisa considerar o caráter extraordinário do Reino dos Céus. (9-15)

Por conta de todos os preconceitos e motivações erradas que o povo tinha dentro da alma, eles não tinham dado conta do caráter absolutamente extraordinário e sublime que estava diante deles. Quando Jesus diz que “João era muito mais que um profeta”, ele estava chamando o povo para considerar o caráter extraordinário do Reino dos Céus. Podemos pensar desse modo tendo em vista que nosso mestre afirmou que os ouvintes de João estavam na verdade diante do anjo do Senhor que viria para preparar o caminho da chagada do próprio Deus para trazer a restauração do povo. Houve um tempo em que o povo de Israel atravessou uma grande crise de espiritual e nessa hora o Senhor confortou o seu povo pela boca do profeta Malaquias dizendo:

“Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz o Senhor dos Exércitos.” (Malaquias 3:1, RA)

Jesus, disse ao povo: vocês pensavam que ouviam um caniço agitado pelo vento (um homem qualquer), todavia vocês estavam diante do anjo do Senhor que veio para preparar o caminho do Cristo de Deus.

Logo em seguida Jesus declara no verso 11: Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele.

Com essas palavras Jesus está dizendo que João foi o homem mais extraordinário da velha dispensação, contudo os ouvintes do reino de Deus, ainda que seja o menor (insignificante) é maior (mais extraordinário) que João Batista por causa do sublime privilégio de ouvir os ensinos do Filho de Deus.

Na continuação do texto o Senhor disse: 12 Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele. 13 Porque todos os Profetas e a Lei profetizaram até João. 14 E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir. 15 Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.

Ainda que muitos estudiosos estejam divididos quanto à tradução e o significado do termo “esforço-violência”, penso que o Senhor está fazendo uma alusão aos inimigos do Reino que responderam ao clamor de João tentando aceitar o reino para silenciá-lo com violência, mas apesar de muitos perseguirem o reino de Deus com os traços de violência, Jesus deixa absolutamente claro que João Batista deveria ser aceito como o Elias que haveria de vir. Obviamente que João não era a reencarnação de Elias, antes ele era a encarnação do ministério de Elias que no sentido profético denunciou a idolatria que o Senhor abomina e convocou o povo ao arrependimento. Com essas palavras Jesus, anunciou o caráter singular e sublime do reino de Deus e nos deixou como preciosa lição o fato de que a alma disposta para ouvir a Palavra de Deus precisa considerar o caráter extraordinário do Reino dos Céus. (9-15)

João foi o homem mais extraordinário de todo o AT, contudo aqueles que podem ouvir os ensinos do Filho de Deus e contemplar os sinais da chegada do Reino de Deus possuem um privilégio muito mais extraordinário que João. Meu irmão e minha irmã, quando você lê e ouve os ensinos de Jesus será que você consegue vislumbrar o caráter extraordinário deste evento? Ou será que extraordinário para você se manifesta apenas;

  • Na oratória do pregador;
  • Nas manifestações sobrenaturais dos operadores de milagres;
  • Na estética do culto;
  • Na arquitetura do templo;
  • Na precisam do conhecimento e da inteligência do pregador;

Falo dessa maneira porque em muitas ocasiões temos a grande oportunidade de fazer a experiência do extraordinário, mas passamos ao largo dessa experiência quando desviamos nossos olhos de Jesus Cristo de Nazaré. Nele e somente Nele está a dimensão extraordinária do Reino de Deus. Por conseguinte, ter uma a alma disposta para ouvir a Palavra de Deus significa tão somente considerar o caráter extraordinário do Reino dos Céus na medida em que aceitamos pela fé a Palavra de Jesus Cristo.

Depois que somos imersos nessa consciência do extraordinário que emana do reino de Jesus Cristo nada mais nesse mundo tem poder para nos impressionar e desviar nosso foco do propósito de Deus. Quem conhece e aceita pela fé as Palavras de Jesus de Nazaré diz como Paulo:

“Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos. ” (Filipenses 3:4-11, RA)

Existem muitas coisas formidáveis no mundo, contudo a maior de todas elas é um homem e uma mulher totalmente dispostos a seguir os passos de Jesus Cristo de Nazaré.

Talvez você tenha se acostumado com a sua prática religiosa. Talvez suas motivações e preconceitos tenham limitado tanto a sua visão que a essa altura a noção do sagrado esteja quase que absolutamente des-sublimada para você.

Contudo, quero lhe dizer que eu creio que Deus me mandou hoje aqui para lhe dizer que ter o coração aberto para Jesus Cristo faz da menor pessoa a mais extraordinária de todas. Maior que João inclusive! Mas para experimentar essa grandeza é preciso ter a alma disposta para ouvir a Palavra de Deus.

  1. III. A alma disposta para ouvir a Palavra de Deus reconhece a sabedoria encarnada em Jesus Cristo de Nazaré. (16-19)

A fim de ilustrar a situação de alguns ouvintes do Evangelho do Reino de Deus, o Senhor Jesus propôs uma parábola:

16 Mas a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros:17 Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes.

Embora simples – a parábola de Jesus é rica tanto em profundidade como em aplicação. Nas palavras do evangelho que acabamos de ler o nosso Mestre ilustra a postura que percebeu da parte do povo em relação aos profetas de Deus.

No dizer de Jesus muitos agem como crianças que ouvem as canções de festa, todavia não se alegram. E se por ventura ouvem a melodia dos enterros não se emocionam. Jesus revela que muitas vezes a dureza do coração humano fica encastelada pela infantilidade, impassibilidade e o mais grave, que é a resistência quanto à mensagem do Evangelho.

É bem verdade que existe um tipo de infância na qual sempre devemos ter e sem a qual não poderemos entrar no reino dos céus. Nesse sentido ser criança é sempre depender de Deus. Contudo, Jesus está nos descrevendo um tipo de meninice que é uma espécie de alegoria da dureza do coração humano diante do evangelho. No caso em questão “veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio! Ou seja, João cantou a tristeza, mas ninguém ficou triste com o pecado, ninguém ficou triste com a hipocrisia, antes, o povo encontrou um desculpa para rejeitar a mensagem de João dizendo: Ele tem demônio.

Se o problema era porque João não comia e nem bebia, então veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores.” Ou seja, veio, Jesus que tocou a flauta anunciando à alegria do perdão de Deus, a paz, a justiça, a libertação dos cativos, a pregação da verdade, mas ninguém celebrou, antes julgaram Jesus como um pecador.

Depois de descrever o lado acriançado e contumaz do coração duro em relação ao Evangelho, Jesus Cristo descreve o verdadeiro ideal da sabedoria. Na parte final do verso 19, Jesus disse: Mas a sabedoria é justificada por suas obras. Existe na bíblia um provérbio (provérbios 8) onde a Sabedoria personificada diz: 18 Riquezas e honra estão comigo, bens duráveis e justiça. 19 Melhor é o meu fruto do que o ouro, do que o ouro refinado; e o meu rendimento, melhor do que a prata escolhida. 20 Ando pelo caminho da justiça, no meio das veredas do juízo, 21 para dotar de bens os que me amam e lhes encher os tesouros.

Jesus, pois, aplica a si mesmo esse provérbio testemunhando que através de suas obras a Sabedoria de Deus se fazia evidente.  Jesus revelou sua sabedoria: ao dar luz aos cegos, aos purificar leprosos, ao tocar no ouvido dos surdos, ao dar vida aos mortos e ao anunciar o Evangelho aos pobres. O mestre apresentou as suas credenciais mostrando que a sabedoria transcende os preconceitos e motivações humanas que esconde o ego infantilizando, que de maneira maldosa de contumaz, rejeita a sabedoria de Deus revelada em Cristo.

Meus irmãos e minhas irmãs, hoje mais do que nunca precisamos entender de uma vez por todas que uma alma disposta para ouvir a Palavra de Deus reconhece a sabedoria encarnada em Jesus Cristo de Nazaré. (16-19).

A certeza da fé de que Cristo é a sabedoria de Deus é patente nas palavras e nas obras de Cristo, bem como no testemunho dos apóstolos. Escrevendo aos Coríntios, Paulo disse: “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor (1 Coríntios 1:30-31, RA)

Em outras palavras tudo o que precisamos “saber” acerca da vontade de Deus, acerca do Plano de Deus, acerca do agir de Deus, tudo o que precisamos ouvir sobre a vida, sobre o mundo e sobre nós mesmo está revelado de forma perfeita do Evangelho de Jesus Cristo de Nazaré. Nele “todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos”. (Colossenses 2:3, RA)

E como precisamos de sabedoria! Somos seres carentes de saber. Veja bem:

  • · Precisamos saber lidar com nós mesmo (temperamentos, atitudes e reações);
  • · Precisamos saber lidar com os outros;
  • · Precisamos saber lidar com o sistema;
  • · Precisamos saber lidar com as pressões;
  • · Precisamos saber criar os filhos;
  • · Precisamos saber viver e entender a vida e seu sentido;
  • · Precisamos saber acerca de Deus porque o nosso coração tem sede do sagrado;

A questão é muitas vezes estamos diante da Sabedoria Encarnada, no entanto resolvemos brincar com coisa séria. Brincamos com as coisas sagradas, como se já não bastasse o simples de fato des-sublimar as palavras de Jesus. Sim! Brincamos com coisas sagradas todas as vezes que vestimos a pachorra da infantilidade embirrante que teima em brincar de não brincar. Deus tocou o canto da tristeza. Deus tocou o canto da alegria. Não obstante, os que teimam em brincar de não brincar ignoram o agir de Deus com desculpas intermináveis para se esconder da luz.

Irmãos e irmãs, não sejamos nós como as crianças birrentas! Disponhamos a nossa alma para ouvir a Palavra de Deus todos os dias da nossa vida, levando a sério como pessoas adultas na fé a sabedoria encarnada na pessoa augusta de Jesus Cristo de Nazaré. Preste bem atenção do que eu vou lhes dizer: muitas vezes sofremos com a vida porque agimos como as crianças birrentas:

  • · Muitas vezes Deus nos alerta para aquilo que mata, destrói, corrói, machuca e fere, no entanto teimamos em não chorar;
  • · Muitas vezes Deus toca a flauta da alegria do perdão, da graça e da sua paz, no entanto teimamos em não cantar;

Hoje Deus te dá chance de crescer, se tornar homem e mulher maduros para o reino de Deus, capaz de responder aos desafios da vida, por meio da sabedoria que há em Jesus Cristo. Certa vez Jesus fez um convite:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.” (Mateus 11:28-29, RA)

Aceite o convite de Deus. Aceite o convite de Jesus e persiga a Sua Sabedoria e assim você somente deixara de ser criança, mas encontrará o descanso para a sua alma.

Conclusão

Diante de tudo o que ouvimos hoje do Evangelho de Jesus Cristo que de fato haja em nossa alma uma genuína disposição para ouvir a Palavra de Deus;

  • Que desmascara nossos anteparos, preconceitos e motivações ruins que limitam nossa percepção da realidade de Deus;
  • Revela reverentemente o sublime conhecimento de Jesus Cristo;
  • Manifesta a verdadeira sabedoria que nos amadurece para o reino de Deus;

Que o Senhor nos ajude.

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