Introdução

Hoje vamos começar a exposição do livro de Jó em nossa comunidade. Estou muito feliz com o seu interesse pela luz da Palavra de Deus. Espero que nesses dias possamos todos juntos receber da parte do Espírito Santo a sabedoria necessária para enfrentar os dramas da vida e por fim exaltar nosso Senhor Jesus Cristo. O texto que vamos examinar nesse estudo é a porção mais conhecida do livro de Jó e é provável que você tenha lido, ou ouvido, algo acerca da temática que vamos abordar, porém, seja como for, nossa tarefa hoje, intenta destacar as principais marcas da vida de Jó.

  1. I. A vida de Jó foi marcada pela piedade. (1)

O testemunho bíblico nos remete primeiramente a terra de Uz indicando por assim dizer todo um cenário geográfico e cultural. Por meio da alusão a essa cidade podemos situar os personagens descritos no texto em algum momento histórico da era patriarcal nos limites do antigo “Oriente Próximo”.  Nesse contexto patriarcal existiu um homem que marcou o seu tempo por ser comprometido com valores éticos e espirituais. Considerando a mensagem teológica geral do livro; a apresentação do caráter de Jó, logo no início indica que “nenhum dos sofrimentos de Jó acontece por causa de qualquer pecado específico de sua parte”.[1] No dizer do  texto bíblico Jó era um “homem integro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal”.

Sendo assim, sem nenhuma pretensão perfeccionista acerca de Jó, mas certo de que o testemunho de piedade dele era uma inspiração para todos e todas acerca da vivencia prática da sabedoria, o autor bíblico, destaca a prudência de Jó, tendo em vista que “ele não fazia a concessões a erros morais. Seus negócios eram feitos com integridade. Ele cumpria sua palavra. Tratava os outros com justiça. (…) Ele era reto. Respeitava a Deus e evitava constantemente fazer o mal”.[2]

Meu irmão, você tem procurado viver integralmente o conteúdo espiritual da fé que professa? Você tem procurado levar a sério a piedade no meio da cultura que vive?

  1. II. A vida de Jó foi marcada pelo sucesso. (2-3)

Além de ser um homem piedoso, Jó também é descrito como um homem próspero. E para mensurar a qualificação de uma vida bem sucedida para os tempos de Jó, se faz necessário examinar cuidadosamente a natureza da prosperidade de registrada no texto.

Jó possuía muitos filhos. Nas Escrituras, nos remete um bem que simboliza o alcance ideal da honra e do respeito, devido ao valor social e teológico da família. Não ter filhos era como uma angustia e uma humilhação por muitos interpretada como castigo por causa do pecado. Jó tinha muitas posses. Pela descrição do texto, Jó era um homem muito rico para os padrões do seu tempo. Podemos deduzir que a riqueza de Jó foi resultado da benção de Deus sobre o resultado do trabalho. Nesse sentido o alvo do trabalho é uma benção para a humanidade. Jó possuía escravos. Esse fato indica que ele contribuía indiretamente na vida de outros provendo a chance trabalharem de forma justa e digna para os padrões daquele tempo. Depois de examinar todos esses aspectos o autor do texto sagrado concluiu dizendo: “este homem era o maior de todos os do Oriente”

A sabedoria bíblica revela alusões concretas de sucesso na vida manifestam-se na benção de constituir família, gozar o fruto do trabalho e contribuir com a sociedade de forma justa. Isto posto, fica a seguinte pergunta: qual o tipo de sucesso que você persegue para a sua vida?

  1. III. A vida de Jó foi marcada pelo cuidado com a família. (4-5)

Por fim, Jó é apresentado pelo autor bíblico como homem comprometido com a família. Observe que a fim de mostrar o trato de Jó com os seus filhos, o texto sagrado, descreve o cotidiano dos filhos  e filhas de Jó, que celebravam intensamente a vida. A prosperidade oferecida por Jó aos seus filhos sem dúvida era uma responsabilidade importante, contudo, não era o maior objetivo ou missão de Jó como pai, prover apenas, o sustento material para os filhos. A questão do conforto material é considerada por Jó como um acessório para a vida dos seus filhos, sendo a questão da ligação com Deus o aspecto mais relevante para a família. (5) Perceba que como pai, Jó se dedica aos filhos na medida em que ele dedica (entrega) a Deus todos os seus filhos. A sabedoria bíblica destaca esse cuidado com a família, cuja ressonância é percebida em vários outros textos. (Salmo 127 e 128).

A vida não é feita somente de sucesso material. O texto bíblico revela que “os bens materiais não podem ser considerados separados de quem os dispensa, como algo de valor desejável em si mesmo”.[3] É preciso ponderar que a vida sem a percepção da comunhão diária com Deus não passa de ouro de tolo, como descreveu Raul Seixas:

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado…[4]

Conclusão

A proposta da sabedoria bíblica ao descrever o cenário cultural e as marcas da vida de Jó nos serve como orientação imprescindível para resgatar referências concretas para viver a felicidade a luz da piedade integral, da benção do trabalho e do gozo da vida em família.

O texto sagrado nos oferece espaços de construção da vida feliz a partir da relação com Deus e aplicação da fé no cotidiano através da vivência ética e espiritual. Família, trabalho e solidariedade são objetivos legítimos na perseguição da bem aventurança e que nem sempre ocupam o topo da qualificação do sucesso em nosso tempo. Considerando ainda o valor da família, o estilo de vida assumido por Jó é um grande desafio para todos nós, no sentido que devemos nos dedicar aos nossos filhos enquanto incessantemente dedicamos eles diante e não mãos de Deus.  Faça hoje mesmo uma revisão dos valores que norteia a sua vida. Entregue o seu coração ao Senhor Jesus Cristo e procure assumir a simplicidade de vida marcada pela piedade. Persigam o sucesso na família, no trabalho e na sociedade, sem perder de vista que a prosperidade só tem sentido quando a vida é consagrada a Deus.


[1] HOUSE, Paul. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida, 2005, p.548.

[2] SWINDOLL, Charles R. Jó: um homem de tolerância heróica. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p. 22

[3] EICHRODT, Walter. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2004, p. 796.

[4] Ouro de tolo – Raul Seixas.

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