A evangelização do mundo sob o prisma da providência divina.

Atos 8.26-40

“Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Dispõe-te e vai para o lado do Sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. Ele se levantou e foi. Eis que um etíope, eunuco, alto oficial de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todo o seu tesouro, que viera adorar em Jerusalém, estava de volta e, assentado no seu carro, vinha lendo o profeta Isaías. Então, disse o Espírito a Filipe: Aproxima-te desse carro e acompanha-o. Correndo Filipe, ouviu-o ler o profeta Isaías e perguntou: Compreendes o que vens lendo? Ele respondeu: Como poderei entender, se alguém não me explicar? E convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele. Ora, a passagem da Escritura que estava lendo era esta: Na sua humilhação, lhe negaram justiça; quem lhe poderá descrever a geração? Porque da terra a sua vida é tirada. Então, o eunuco disse a Filipe: Peço-te que me expliques a quem se refere o profeta. Fala de si mesmo ou de algum outro? Então, Filipe explicou; e, começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe a Jesus. Seguindo eles caminho fora, chegando a certo lugar onde havia água, disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que seja eu batizado? [Filipe respondeu: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.] Então, mandou parar o carro, ambos desceram à água, e Filipe batizou o eunuco. Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, não o vendo mais o eunuco; e este foi seguindo o seu caminho, cheio de júbilo. Mas Filipe veio a achar-se em Azoto; e, passando além, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesaréia.” (Atos 8:26-40, RA)

 150 anos de história não se conta em poucos minutos. Há tantas coisas para dizer e tantas coisas para lembrar que fica difícil encontrar até mesmo a palavra inicial. Embora seja pertinente pensar em nosso passado, quero nessa hora de culto lembrar a todos que a IPB só existe porque Deus através da sua providencia moveu pessoas, circunstâncias, tempos e recursos de toda natureza para que o evangelho fosse anunciado no Brasil.

Por isso, não vou discursar sobre a história da nossa igreja, mas sobre a história da evangelização sob o prisma da providencia divina, a fim de entendermos verdades de profunda pertinência para nossa vida cristã. Quero destacar algumas verdades com a partir do que lemos, a saber:

      I.        Deus é sujeito soberano da proclamação do Evangelho. (26-29)

 O texto que tomamos como base para nossa nutrição espiritual nessa hora de culto começa dizendo que Deus é o sujeito da proclamação do Evangelho.

 Vejamos, primeiramente, no verso 26 que de acordo com Lucas é Deus quem convoca os instrumentos da evangelização. Diz o texto que: “Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Dispõe-te e vai para o lado do Sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. Ele se levantou e foi.”

Muito mais do que um dialogo místico na esfera do numinoso entre Filipe e um anjo do Senhor, Lucas, está nos comunicando o absoluto governo divino na tarefa da evangelização do mundo na medida em que somos instruídos que foi por meio do seu anjo que o Senhor separou e convocou Filipe para a tarefa da evangelização. O texto sagrado desvenda nossos olhos para entender que a igreja tem a missão da evangelização do mundo apenas como instrumento nas mãos de Deus, tendo em vista que antes de qualquer iniciativa humana é Deus quem separa e convoca seus servos para a evangelização do mundo.

 Ainda pensando no governo divino na evangelização, nos versos 27-29 são descritos dois caminhos. O primeiro caminho descrito por Lucas é a história de um etíope. Diz-nos o texto que existia um “etíope, eunuco, alto oficial de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todo o seu tesouro, que viera adorar em Jerusalém, estava de volta e, assentado no seu carro, vinha lendo o profeta Isaías.” (Atos 8:27-28, RA). 

Por meio dessas palavras o texto sagrado nos mostra a história da sede humana por Deus. Lucas nos diz que um pagão, culto, sendo alto funcionário da corte de Candace, tinha uma profunda sede no seu coração pelo sagrado que o movia a manter uma postura reverentemente piedosa. Esse etíope era um homem de sucesso, reconhecido por sua competência e respeitado como ministro da nobreza, mas apesar de tudo isso, ele não perdeu de vista a necessidade da alma em buscar o sagrado, por isso ele peregrinava para Jerusalém a fim de adorar e buscar respostas para a sua vida através da leitura dos livros sagrados. Portanto o primeiro caminho descrito por Lucas é o caminho da alma humana que mesmo cercada de reconhecimentos humanos possui lacunas existenciais profundas que movem o homem a buscar o sagrado a fim de encontrar descanso e paz.

Mas a outro caminho descrito por Lucas. Esse o caminho soberano do Senhor que por meio da sua divina providencia conspira o encontro com as suas criaturas. O verso 29 diz: “Então, disse o Espírito a Filipe: Aproxima-te desse carro e acompanha-o.”

Enquanto o etíope pensava que estava procurando a Deus, diz-nos o texto que o Senhor já estava previamente movendo as circunstâncias para que o evangelho fosse comunicado a ele.  Para além da buscam humanas pelo sagrado, as Escrituras nos revelam o caminho contrário, onde Deus soberanamente persegue seus escolhidos.

 Irmãos e irmãs todos nós fomos comissionados pelo Senhor para realizar a tarefa evangelística no mundo.

E há muitos textos bíblicos que nos servem de evidencia, a saber:

 “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mateus 28:19-20, RA)

 “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” (Marcos 16:15-16, RA)

 “Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas. Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.” (Lucas 24:45-49, RA)

 “Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.” (João 20:21-22, RA)

 “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra. Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos.” (Atos 1:8-9, RA)

 “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1 Pedro 2:9, RA)

 Todos os textos que citamos nos ensinam que temos um ministério no mundo, mas não caiamos no laço e na falácia de pensar que somos os sujeitos da missão. Sempre que a Igreja procurou ter sua missão ela não comunicou o evangelho, mas espalhou pelo mundo desgraças. Mas quando a igreja se coloca como instrumento de Deus a única atitude que compete é a obediência ao chamado de Javé. Ele nos chamou para fora do mundo, ele nos libertou das trevas, todavia ele nos envia de volta para pregar o evangelho no mundo, confiando na sua divina providencia.

Sendo assim não devemos ficar acomodados e amordaçados por causa da maldade do mundo, nossas imperfeições e limitações. Em nome de Jesus, se esforce para anunciar o nome daquele que pode transformar todas as coisas. Às vezes ficamos desanimados, tristes, abatidos diante da reação negativa das pessoas perante do evangelho, todavia entendamos hoje pela palavra de Deus que tudo está sob o controle do Senhor. A revelação do texto deixa claro que Deus por meio da sua providencia moverá as circunstância para que o Evangelho seja pregado aos seus eleitos, todavia a aquiescência dessa verdade não deve nos levar a letargia, pelo contrário confiando no poder de Deus devemos obedecer ao Senhor perseguindo aqueles que ele permite a graça de evangelizar. Quantas pessoas que conhecemos que são como aquele etíope? São pessoas descontentes com mundo e sedentas de Deus. O Espírito Santo nos manda perseguir essas pessoas. Corramos irmãos em busca dos que estão longe, para falar do evangelho. Corramos na confiança de que tudo está sob o controle do Senhor.

 O texto sagrado ainda nos ensina que;

    II.        Jesus Cristo é a revelação perfeita da vontade de Deus. (30-35)

 Após narrar à história do etíope dentro do contexto da providencia do Senhor, Lucas passa a fazer uma espécie de historiografia dos recônditos da alma humana onde o objeto da pesquisa é própria experiência religiosa do etíope. Vejamos, pois, alguns aspectos que Lucas destaca.

 Nos versos 30 e 31, Lucas descreve a incapacidade do etíope em compreender o significado das Escrituras. O texto diz assim: “Correndo Filipe, ouviu-o ler o profeta Isaías e perguntou: Compreendes o que vens lendo? Ele respondeu: Como poderei entender, se alguém não me explicar? E convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele.” Veja que apesar de toda a boa vontade, piedade, zelo religioso e inclusive contando o desejo de ler o profeta Isaías, o etíope não tem categorias ou mecanismos de auto-ilustração para compreender o texto sagrado. O texto sagrado estava diante dos seus olhos, mas a Palavra de Deus ainda não estava dentro do seu coração. Ele tinha piedade, mas era piedade em meio à ignorância.

 Dos versos 32 até 34, Lucas nos insere do labirinto onde a alma do etíope estava lançada. Diz nos Lucas que “a passagem da Escritura que estava lendo era esta: Na sua humilhação, lhe negaram justiça; quem lhe poderá descrever a geração? Porque da terra a sua vida é tirada. Então, o eunuco disse a Filipe: Peço-te que me expliques a quem se refere o profeta. Fala de si mesmo ou de algum outro?”

Vejam irmãos e irmãs que o etíope não consegue entender o texto sagrado porque ele está amarrado a um cipoal de interpretações que foram lançadas para dentro do texto. Vamos fazer a seguinte conjectura: imagine esse etíope encerrando suas atividades seculares cotidianas. Profundamente cansado da vida ele vai à busca de Deus em Jerusalém, lá ele adquiriu o livro o profeta Isaías em busca de luzes e certezas, todavia a única coisa que ele conseguiu trazer do culto em Jerusalém foram dúvidas que o lançaram num verdadeiro labirinto de elucubrações e interpretações do texto. O etíope não sabe se o profeta fala de si mesmo ou de outro. Imagine comigo a situação. O eunuco vai à busca de luz encontra um interprete das Escrituras de diz para ele: O texto está sob as premissas de uma escatologia realizada, logo o profeta não fala do futuro, mas dele mesmo. Só que outras pessoas disseram para o eunuco que o profeta não estava falando dele mesmo, mas de outro que haveria de vir.

Assim sendo Lucas nos mostra que experiência religiosa do etíope é uma ilustração da alma pressionada pelas elucubrações humana que invés de trazer segurança para o homem o lança do labirinto das ilusões.

 No verso 35, Lucas mostra que toda a experiência religiosa do etíope foi confrontada pela pregação do evangelho. Diz o texto que “Filipe explicou; e, começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe a Jesus.” Queridos lendo o texto, realmente qual foi o método exegético que Filipe usou, não sabemos a forma do discurso, não sabemos os passos intermediários que ele usou (talvez se soubéssemos os fundamentalistas certamente iriam cristalizar e engessar o método) o fato é que Filipe partiu do texto do profeta Isaías como ponto de arrancada para apresentar Jesus Cristo ao etíope e assim comunicar aquela alma atormentada pelas dúvidas que única forma de entender a revelação de Deus, única forma entender as Escrituras sagradas, a única forma de percorrer o caminho em direção a Deus é única e exclusivamente através de Jesus Cristo. Deus em sua infinita e perfeita providencia decidiu que a sua vontade em Cristo fosse revelada aos corações por meio da pregação do evangelho.

 

Irmãos e irmãs, a história desse etíope foi escrita a mais de 2000 mil anos, mas para que fique absolutamente certa a inspiração do texto sagrado, a Palavra de Deus descreve nitidamente a experiência religiosa dos nossos dias. Por mais que queiram reduzir a existência humana a uma vida sufocada pelo materialismo histórico, a realidade é que homem através de sua experiência religiosa se recusa a aceitar a vida como um suspiro entre dois silêncios. Tal qual a experiência do etíope as pessoas continuam realizando peregrinações em busca do sagrado. Buscam se projetar numa experiência transcendental a fim de descobrir respostas para as demandas da vida e da alma. Não são poucas as pessoas que inclusive conhecem a Escritura Sagrada, têm ela aberta dentro de casa, mas não tem conhecimento do significado celestial da Palavra de Deus.

Como se não bastasse à cegueira e o véu que cobre os olhos, as pessoas estão jogadas no labirinto das interpretações e elucubrações humanas. Se hoje você tiver que procurar caminhos em direção ao sagrado, terá de percorrer muitas estradas em uma medonha quantidade de conceitos e interpretações codificadas pelo;

      Islã

      Budismo

      Hindus

      Judeus

      Rosa-cruz

      Mórmons

      Testemunhas de Jeová

      Adventistas

      Espíritas

      Here-krishina

      Igreja da unificação

      Unicistas

      Nova era

      E tantas quantas….

 E na maioria dos casos cada uma dessas religiões tende a ser exclusivistas em relação às outras, sendo que a verdade está na sua religião. Ainda acerca dessas religiões o missiólogo Georg Vicedom diz:

 “Em última análise, as outras religiões devem ser entendidas a partir das ligações com esse outro reino (domínio do diabo). Sem dúvida, elas contêm muitas coisas boas, mas estão inseridas no mal e por ele ocultas. Neles atuam os satânicos poderes antidivinos (…) Somente está livre do reino deste mundo quem se deixa salvar dele para o reino de Deus pelo envio de Jesus Cristo. Esse é o único caminho. Nem o nascimento o leva para o reino de Deus (Caim e Abel), nem o fato de pertencer ao povo (Rm 2), nem a ocupação (Mt 24.40), nem a mais intima comunhão das pessoas entre si (Lc 17.34)”.[1]

 Eis o labirinto da alma humana, onde muitas vezes pessoas ficam sendo levadas de um lado para o outro, simplesmente porque o coração não consegue desancar em um porto seguro, daí muitos vivem de incontáveis experiências no campo da religião com muitas dúvidas e poucas respostas.

O que hoje precisamos entender pela Palavra de Deus é que a única forma de superar as ilusões da experiência religiosa, bem como encontrar a caminho para sair do labirinto dos ídolos é somente por meio do Evangelho de Jesus Cristo.

Por isso mesmo fomos chamados por Deus para falar aos corações dos homens e das mulheres no intuito de evangelizarmos a paz aos seus corações lhes falado de Cristo. Não podemos e nem devemos impedir que as pessoas vivam as suas experiências religiosas, mas podemos fazer como fez Filipe, ou seja, podemos estar ao lado delas, podemos ouvir o que elas pensam, a fim de aproveitarmos a oportunidade de lhe anunciarmos Cristo Jesus. O que não podemos é viver passivamente diante de tantas ocasiões que a providencia de Deus nos concede para falarmos do amor de Deus as pessoas.

   III.        O Evangelho de Jesus desafia o ser humano a tomar uma decisão diante de Deus. (36-40)

 Quando o evangelho é proclamado seja quem for o ouvinte não lhe é permitido neutralidade em termos decisórios, tanto que o Eunuco, após a exposição feita por Filipe, manifesta algumas atitudes que devemos considerar.

 No verso 36, o eunuco questiona o evangelista quanto à ministração do batismo. Diz o texto sagrado que “seguindo eles caminho fora, chegando a certo lugar onde havia água, disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que seja eu batizado?” É bem verdade que não temos como decifrar o que exatamente significava “ser batizado” no entendimento do etíope, todavia é perfeitamente plausível partimos do pressuposto de que ele esta se referindo ao rito do batismo como testemunho público de adesão a uma comunidade, tal como os judeus faziam com os prosélitos. Essa conclusão é legítima, pois a própria construção da pergunta antecipa possíveis reservas quanto à recepção do rito, que era comum no caso de prosélitos. Talvez o etíope estivesse esperando de Filipe uma censura pelo fato de ser gentio.

Mas independente disso quem se submetia ao rito estava rompendo com a forma de vida anterior, sendo que daí em diante a pessoas estaria sendo confessando uma nova comunhão. Tal lógica pode ser vista no batismo de João e depois no batismo administrado pelos apóstolos.

 “Conforme está escrito na profecia de Isaías: voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas; apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados. Saíam a ter com ele toda a província da Judéia e todos os habitantes de Jerusalém; e, confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. As vestes de João eram feitas de pêlos de camelo; ele trazia um cinto de couro e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre. ” (Marcos 1:2-6, RA)

 “Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.” (Atos 2:37-38, RA)

 Seja como for o fato é que esse etíope está dizendo para Filipe que ele quer romper com as interpretações de Jerusalém, ele quer romper com as dúvidas, ele quer romper com os anos de peregrinação vazia, ele quer romper com os interpretes do desespero e com os interpretes legalistas, ele quer romper com a tristeza e a agonia de uma vida sem Cristo, ele quer romper com a religião que tratava ele como pessoa de segunda categoria. Ele está disposto a largar a velha vida para caminhar em comunhão com Cristo Jesus.

 

No verso 37-38, o eunuco confessa publicamente sua fé em Jesus. Segundo o registro do evangelista Lucas Filipe disse ao eunuco “é lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Então, mandou parar o carro, ambos desceram à água, e Filipe batizou o eunuco.” Diante das dúvidas do etíope acerca da legitimidade do seu batismo, Filipe esclarece ao eunuco que a validade do batismo está atrelada a fé em Cristo. Em outras palavras, o evangelista está dizendo assim: Não importa a sua cor, não importa teu sangue, não importa o teu cargo, não importa o que você fez, não quem você foi, o que importa é se você crê em Cristo. Diante do desafio do evangelho o etíope sem titubear afirmou a maior certeza da sua vida, ele disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. O etíope crê que em Jesus como sendo o Deus da sua vida e salvação. Tudo o que Deus promete, tudo o que é, tudo que Javé faz para salvar e redimir o pecador em está em Cristo Jesus o Filho de Deus e é essa verdade que o etíope confessa.

No verso 39 e 40, Lucas mostra os caminhos exigidos pelo evangelho. Lucas fiz que: “Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, não o vendo mais o eunuco; e este foi seguindo o seu caminho, cheio de júbilo. Mas Filipe veio a achar-se em Azoto; e, passando além, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesaréia.”

Primeiro Lucas nos mostra que Filipe foi arrebatado para continuar a tarefa da evangelização do mundo. A memória ultima de Filipe que O Espírito nos revela é a do servo dedicado no caminho da proclamação do Evangelho no mundo.

Já o etíope toma o seu caminho, aliás, um novo caminho, o etíope tomou o caminho da alegria, do júbilo, da celebração, do folguedo. Veja a soberania de Deus e como os caminhos do Senhor são diferentes dos nossos. O etíope foi para Jerusalém em busca de adorar. Teoricamente lá deveria ser o lugar da alegria, mas veio a ser o lugar da radicalização das dúvidas e da confusão, todavia é no meio de um deserto, que esse homem foi tangido pelo Espírito Santo para no meio do deserto, dentro da sacralidade de uma carruagem ter os olhos desvendados para a vida eterna. Preste vem atenção no que vou lhes dizer: O culto não começa quando você entra no templo. O verdadeiro culto só ocorre quando você reconhece Jesus como filho de Deus. Dessa hora em diante, começa a verdadeira celebração em ação de graças por causa da alegria da salvação. Eis os caminhos do evangelho: caminhos de transformação, caminhos de serviço, caminhos de alegria e proclamação da graça de Deus em Cristo Jesus.

 Irmãos e irmãs o evangelho não é estória, uma ilusão ou mito mentiroso. O evangelho é a Palavra de Deus que confronta o pecador a tomar a mais importante decisão da vida. O Evangelho convoca a romper com esse mundo de mentiras, cheio de ídolos e falsas capas piedade. O Evangelho nos convoca a romper com a religiosidade dos caminhos de Jerusalém, o evangelho nos convoca a romper com qualquer forma de niilismo, paganismo e falsas esperanças, mesmo que elas sejam ditas nos lugares mais sagrados do mundo.

 Queridos o evangelho não é uma teoria gnóstica, o evangelho não é mistério exotérico. O evangelho é Jesus Cristo. O evangelho é a boa nova que anuncia a presença de Deus em Cristo que liberta, cura, restaura e comunica a verdade acerca da vida e do futuro da existência humana. Anunciemos ao mundo que a obra de Deus está em Cristo. Proclamemos em todos os lugares a atitude mais importante da vida, não é fazer grandes peregrinações, subir escadarias de templos, pagar, promessas, rezar novenas, abarrotar templos evangélicos, budistas, espíritas e etc. A decisão mais importante que uma pessoas pode tomar diante de Deus é crer que Jesus é o Filho de Deus.

 “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras. Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.” (João 3:16-21, RA)

 Diante do evangelho que hoje foi proclamado eu lhe pergunto: Qual o caminho você vai seguir? Só existem dois caminhos na vida. Em um deles você pode estar com Deus, no outro você pode estar totalmente longe dele. E essa questão é tão complexa que você pode até esta a caminho de religião, assim como esteve o etíope, e ainda assim estar longe de Deus. Todavia no reverso da história você pode estar num deserto, dentro de uma carruagem, tal como foi a experiência do etíope, mas se nesse lugar você tiver um encontro com Cristo este será um lugar mais sagrado do mundo. Quem encontra com Cristo nunca volta para casa da mesma maneira. Quem tem Cristo no coração toma os caminhos do mundo sob a direção do Espirito Santo para evangelizar. Quem tem Jesus dentro da alma, toma o caminho cheio do jubilo e da alegria da salvação.

 Talvez você tenha vindo aqui hoje para encontrar respostas, orações, prece, consolo. Deus é quem sabe do seu coração, mas talvez você esteja até mesmo frustrado e confuso porque existem tantas interpretações no mundo. Preste bem no que vou lhe dizer: Antes de você chegar aqui hoje, antes de você pensar em encontrar com Deus, antes de você Deus. É contrario, Deus é quem veio ao teu encontro hoje para que você entenda, aceite e creia no evangelho de Jesus Cristo.

 

Conclusão

 

Hoje celebramos 150 anos de presbiterianismo no Brasil e em bem poderia ter aproveitado o momento para falar de reforma, para falar dos puritanos, para falar de Simonton, poderia falar de Calvino e nossas raízes confessionais e reformadas. Em outro dia e em outro momento se Deus permitir trataremos dessas coisas.

Hoje o meu desejo é que tomemos parte no caminho da evangelização. Desafio você, no nome de Jesus a crer na providencia de Deus e tomar seu rumo evangelizando o mundo. Não perca nenhuma oportunidade, não perca nenhuma chance de comunicar o amor de Deus as pessoas que Senhor colocar no seu caminho. Que nossa igreja, irmãos e irmãs. seja uma igreja governada pelo Espírito Santo.

Nossa maior missão como cristãos presbiterianos não é proclamar nossas tradições e costumes, ainda que elas tenham algum lugar na nossa identidade. Nossa maior tarefa é viver para glória de Deus, comunicando a revelação dessa glória excelsa no Evangelho de Jesus Cristo. O mundo não precisa de mais uma denominação, o Brasil não precisa conhecer os presbiterianos, o Brasil precisa conhecer o Senhor Jesus Cristo e que nós presbiterianos possamos proclamar Jesus como instrumentos do Espírito.

O evangelho hoje nos colocou entre dois mundos. Um mundo faz sentido ou outro não tem sentindo algum. Deixemos, pois o caminho da preguiça, da murmuração, do legalismo, do farisaísmo e tomemos passo no caminho da pregação do evangelho para que outros e não somente a igreja reunida aqui, conheça a alegria da salvação.

Que esse culto não acabe nunca, continuemos a celebrar com a nossa vida para que outros ouvindo (pois existem pessoas para as quais esse culto ainda não começou) ouvindo falar de Jesus Cristo para que outros possam celebrar junto conosco a alegria da salvação.

 

Que Deus nos ajude. Amém.

 Rev. Francisco Macena da Costa.


[1] Georg Vicedom. A missão como obra de Deus. São Leopoldo: Sinodal, 1996, p. 24.

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