Deus nos chama para anunciar o Evangelho.

 Atos 16.6-10

“E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu.

 E, tendo contornado Mísia, desceram a Trôade. À noite, sobreveio a Paulo uma visão na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos.

 Assim que teve a visão, imediatamente, procuramos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho. ” (Atos 16:6-10, RA)           

O dia 12 de agosto será uma data emblemática para todos os presbiterianos espalhados pelo Brasil, pois nessa data há 150 anos, estava sendo implantada de forma definitiva a Igreja presbiteriana.

 Nessa hora de culto o nosso coração é constrangido a glorificar nosso Deus, pela nossa história, pela consolidação e pela preservação da nossa igreja no brasil. Dentre muitas coisas que poderíamos lembrar, quero hoje trazer para nossa reflexão não apenas dados, ou informações históricas. Hoje quero lembrar aos irmãos e as irmãs que nossa igreja é fruto da graça do Deus que Em Cristo chama, capacita e envia seus escolhidos no poder do Espírito Santo para anunciar o evangelho. Com base em Atos 16.6-10, quero convidar todos e todas para meditar sobre o seguinte tema: Deus nos chama para anunciar o evangelho.

Vejamos, pois algumas lições que a Palavra de Deus tem para nos ensinar.

 

                    I.        Paulo obedeceu ao chamado de Deus quanto a evangelização dos povos.

 

O texto que lemos em atos 16.6-10, nos convoca a refletir acerca da soberania absoluta do Espírito Santo na condução dos missionários e na expansão da mensagem do evangelho da cruz de Cristo. Atos dos apóstolos, também conhecido como atos do Espírito Santo, mostra que a igreja é instrumento de Deus na obra missionário tendo vista que o sujeito absoluto e inconteste da missão é o próprio Deus.

De acordo com o testemunho bíblico um grupo de missionários comandados pelo apóstolo Paulo estavam percorrendo a região frígio-gálata, contudo o Espírito Santo soberanamente os impediu de pregar a palavra na região da Ásia. Por causa da determinação da vontade do Espírito a comitiva de Paulo então resolveu ir para a Bitínia, e mais uma vez o Espírito de Jesus frustrou os planos e os projetos missionários da equipe de Paulo. É possível que o intento da comitiva de Paulo fosse o de consolidar a fé, supervisionar as comunidades fundadas na Ásia, mas o Espírito Santo tinha outros desígnios para serem cumpridos na vida de Paulo e seus cooperadores. O serviço da equipe de Paulo em certo sentido estava direcionado para o lado de dentro da comunidade e o Espírito Santo frustrou esse projeto que num certo sentido representava o ciclo vicioso que estava restringindo e focalizando em atividades internas.

Diz-nos o texto a partir do verso 9 que nas horas da noite sobreveio a Paulo uma visão na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava dizendo: “Passa a Macedônia e ajuda-nos”

Veja ainda que no verso 10 o redator do texto escreve como alguém que participou daquela experiência e diz:

Assim que teve a visão, imediatamente procuramos partir para aquele destino, concluído que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho.

Meus irmãos e minhas irmãs, o texto sagrado está nos ensinado que o Espírito Santo dirige soberanamente a expansão do evangelho no mundo usando a igreja com instrumento na obra missionária.

O Espírito de Jesus Cristo com autoridade divina frustra os propósitos da liderança da igreja, fecha portas, impõe empecilhos para no momento oportuno, nos tempo divino abrir os olhos da igreja para os povos que estão longe do conhecimento do evangelho. O Espírito Santo é o Deus que capacita, dirige e chama os escolhidos para anunciar o evangelho. O Espírito Santo soberanamente conduz a igreja para o lado de fora dos portões dos templos. Deus anima e fortalece a igreja para que o corpo cresça, todavia a comunidade não deve viver para si mesma, o chamado do Espírito Santo convoca a igreja para romper ciclos viciosos de comodismo através da evangelização dos povos. Há momentos em que a igreja e seus ministérios tendem a andar em ciclos viciosos que levam a comunidade a uma inalterabilidade preocupante. E a única forma de romper esse ciclo é atender a voz do Espírito Santo que nos chama para o lado de fora da igreja a fim de evangelizar os povos.

Diante de tão majestoso e soberano chamado Paulo e seus cooperadores sem perder tempo partiram para a Macedônia. Ele foi obediente ao chamado do Espírito Santo.

 

                   II.        Simonton obedeceu ao chamado quanto a evangelização do Brasil.

 

Mas há um fato muito importante que precisamos considerar e que tem muito a haver com a razão pela qual nos estamos aqui. Perceba que quando Lucas começa a contar o evangelho, ele se propõe a falar em termos históricos, por isso podemos afirmar que o livro de atos nos conta a história da igreja primitiva, que de forma objetiva é história dos chamados. De fato quando procuramos ler com atenção podemos perceber que Deus chama o seu povo ao arrependimento, a fé, a consagração, a santidade, ao serviço, a prática da justiça e etc… Pedro nos diz que ele nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Paulo afirma que Deus em Cristo nos chamou a santidade e a liberdade.

Isto posto, podemos afirmar que na redação do livro de Atos Lucas se dispõe a contar a história de um chamado para a evangelização da Europa. E nessa hora de culto quero relembrar a história de um chamado especial para todos nós presbiterianos. Quero lhes contar a história de um missionário que nasceu em 1833 em West Hanover na Pensilvânia. Seu nome era A. G. Simonton. Era filho de um respeitado médico e influente político chamado Dr. William. Sua mãe era filha de pastor e se chamava Martha Davis. Esse era o lar de Simonton, constituído por uma família de crentes piedosos e dispostos a conduzir todos os filhos no caminho do Senhor. Simonton era o caçula da família e quando do seu batismo foi consagrado por seus pais para o ministério.

Apesar de crescer num lar cristão Simonton era um homem indeciso quanto a sua vocação. No início dos seus estudos ficou fascinado pelo universo acadêmico e inicialmente tencionou seguir os rumos do magistério. Por esse tempo muitos amigos percebem que em Simonton a vocação para o ministério da Palavra, mas naquele momento ele mesmo ainda não conseguia ser enxergar nem como crente, quanto mais como ministro. Na verdade, segundo os registros do seu diário, ele estava mesmo era seduzido pelo direito, e então se entrega ao estudo das leis para ser um advogado.

A vida de Simonton foi uma vida simples, ele procurava se relacionar com as pessoas observando sempre as melhores impressões, gostava de viajar, registrava com carinho seus namoros da juventude e em meio as agitações da vida de um jovem ele sente em seu coração um constrangimento para dar maior atenção as coisas sagradas.

Ao completar 22 anos ele começa a ser perguntar pelo sentido da vida. Por aquele tempo ele se volta para a prática da oração e da leitura da bíblia, entretanto as coisas ainda não estão plenamente claras em seu coração. Em seu diário ele dizia que compreendia o desafio do Reino, mas não o sentia. Queria devotar-se a Deus, mas…

A 3 de maio de 1855 ainda em crise de consciência decide professar a sua fé em Cristo e no dia 6 de maio ele toma uma das decisões mais importantes de sua vida, ele decide atender ao chamado para ser ministro do evangelho. Em seu diário ele diz: “O serviço do Senhor será meu supremo alvo”.

Ele ingressa no seminário de Princeton e se dedica com tenacidade aos estudos das línguas originais da bíblia, principalmente o hebraico. No dia 14 de outubro um sermão pregado por C. Hodge o faz pensar seriamente em campos missionários. Aliás devemos lembrar que nesse momento  houve um grande despertamento evangelístico seguido de muitas conversões, devido aos fatos os americanos estavam tomados por um zelo missionário. Eles acreditavam numa visão escatológica que apressava a vinda do reino por meio da pregação do evangelho (pós-milenismo), além disso, crescia no coração do povo e dos lideres a convicção de aos americanos foram chamados por Deus para evangelizarem o mundo (destino manifesto). Nesse contexto missionário nasceu o conselho ou junto de missões estrangeiras com o objetivo de evangelizar a África, o oriente e a América latina. Exatamente nessa junta de missões o jovem Simonton se apresentou em 25 novembro de 1858. Seu coração desejava ansiosamente o Brasil. Em 14 de Abril de 1859 ele foi ordenado ministro presbiteriano. Naquela ocasião em pregou um sermão cujo tema era: Passa a Macedônia.

Meus irmãos e minhas irmãs a visão que Paulo teve do varão macedônio clamando por missionários impactou profundamente o coração de Simonton, e assim como Paulo ele procurou obedecer ao chamado do Espírito Santo. Nosso pioneiro queria ser professor, pensou em ser advogado, quando pastor, muitos dos seus patrícios desejavam que ele ficasse nos EUA, mas o Espírito não permitiu. Deus tinha outros planos na vida dele, O Espírito de Jesus Cristo quis que ele fosse um missionário em nosso país e Simonton diante de tão majestoso e soberano chamado respondeu positivamente e numa sexta feira as 9:30 do dia 12 de Agosto de 1859, Simonton chegou em nosso país, trazendo no seu coração um chamado do Espírito Santo para pregar o evangelho.

Sem perder tempo começaram a evangelização no Brasil. Eles publicavam sermões nos jornais, distribuíram bíblias, folhetos, realizavam reuniões de oração, ensinavam o catecismo, e em nenhum momento eles descuidavam da pregação, onde havia um auditório ele era transformado em púlpito para anunciar a palavra de Deus.

Em 22 de junho de 1862, um jovem de 22 anos, carpinteiro, negociante, depois ouvir o evangelho fez sua publica profissão de fé, rejeitando todos os ídolos de sua antiga fé se entregando ao Senhor Jesus. Seu nome era Serafim Pinto Ribeiro, este foi primeiro Brasileiro presbiteriano. Pela graça de Deus a igreja estava sendo organizada no rio de janeiro, e muitas filhas estavam nascendo em outros estados.

 

                 III.        Deus tem um chamado para nós hoje.

 

Hoje o mesmo Espírito também nos convoca a ouvir o clamor dos pagãos, o clamor dos macedônios, o clamor dos povos que estão longe de Deus. Povo de Deus reunido nessa hora, preste atenção no que vou lhes dizer: O Espírito Santo é o Deus que soberanamente dirige, capacita e chama a igreja para pregar o evangelho. Se Espírito quiser, Ele frustra o propósito dos lideres, dos concílios, dos conselhos. É fundamental considerarmos essa verdade, pois muitas vezes ficamos tristes porque planejamos mil e uma atividades para realizarmos dentro das nossas igrejas e depois de um tempo ficamos até esmagados de tristeza porque o que havíamos planejado não deu certo. Nessas horas não devemos ficar dominados pela frustração, nessa hora devemos dar glória a Deus e reconhecermos de uma vez por todas que Deus é soberano sobre a igreja. Se nossos projetos não estão dando certo é porque Deus não quer. Então o que devemos fazer diante das nossas frustrações? Devemos fazer o que Paulo, Simonton e muitos outros fizeram. Devemos atender o chamado do Espírito Santo para pregar o evangelho.

O desejo revelado do Espírito é um chamado para que a comunidade cristã rompa definitivamente os ciclos que viciam a igreja em si mesma. O desejo do Espírito é para que a igreja seja igreja fora dos portões, isto significa ser igreja no mundo comunicando o evangelho a todos quanto estão longe.

Não podemos ser negligentes com clamor dos que estão longe de Deus. E quantos hoje clamam por ajuda, porque estão cansamos desse mundo, enfadados das mentiras, das falsas promessas e dos falsos evangelhos. Sei quem muitos de nós adoraríamos viver num lugar onde não fosse possível ouvir o clamor dos drogados, dos fanáticos religiosos, das prostitutas, dos homossexuais, no entanto por mais que queiramos fechar nossos ouvidos o Espírito Santo nos convoca a ouvir o clamor daqueles que estão longe de Deus. Por isso em obediência ao soberano Espírito de Jesus Cristo precisamos ir ao encontro dos nossos parentes, amigos e vizinhos para lhes dizer que Jesus morreu na cruz para nos salvar. Precisamos dizer com urgência que a única forma de encontrar o sentido da vida é descansando na graça de Jesus Cristo. Devemos usar tudo o que temos: saúde, recursos financeiros, materiais e intelectuais para pregar a paz com Deus nos sangue de Cristo. A muitos em nosso país e no mundo ainda precisam ouvir o evangelho que Simonton veio anunciar. Ele apenas começou, cabe a nós continuar essa nobre tarefa no tempo que se chama hoje. Precisam hoje considerar que muitas vezes estamos preocupados tão somente com a igreja que já reunida e esquecemo-nos de ouvir o grito dos macedônios.

Quero concluir essa reflexão reafirmando com base na Palavra de Deus, a soberania do Espírito Santo sobre a Igreja. Lembremos que a igreja não nos pertence, não podemos traçar o destino da igreja, nem mesmo modificar sua natureza e propósito. A igreja pertence a Deus, Ele mesmo a comprou com o seu próprio sangue. Nessa hora de festa e gratidão lembremos que o Deus que governa a igreja é o Deus que chama para pregar o evangelho.

Nosso pioneiro ouviu o chamado de Deus para pregar o evangelho em nosso país. Ele não foi negligente nessa tarefa. Simonton com muito empenho e perseverança entregou-se completamente ao serviço do Senhor. Ele fez do evangelho a razão da sua vida e por isso lutou até o fim de suas forças para proclamar as boas novas da salvação.

Queridos irmãos e irmãs o Deus que chamou Paulo, Simonton e muitos outros é o mesmo que nessa hora nos convoca soberanamente a pregar o evangelho. Paulo e Simonton foram obedientes ao chamado de Deus. Que também tenhamos a disposição e a sensibilidade para atendermos humildemente tão glorioso e soberano chamado. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe.

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